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Enfim por aqui
Cantinho de falar sobre minhas boiolices, uma história de mundo em preto e branco com pitadas de traumas e a resposta à uma missão de resgate.

O óbvio da vez é que: às vezes acontecem umas coisas na vida da gente que mudam muito a lore da nossa história né?
~*~
Se tem uma coisa que eu acho incrível no Benjamim é que a empolgação dele sempre contagia todo mundo ao redor! Eu vi ele sair de “não gosto de compartilhar nada de mim” para “estou escrevendo uma newsletter e de repente meus amigos estão todos querendo escrever uma também” super imagino ele pensando algo que ele sempre fala de mim “bando de copião e copiona” mas na verdade é que ele se dedica de uma forma tão intensa e nos mostra um mundo que você vê de uma forma tão interessante que desperta um desejo de ser um pouquinho mais como o Benjamim!
Quando era só ele eu tava até conseguindo me segurar e seguir na minha, mas aí veio o Ícaro e começou a fazer uma também! Se o Ben me contagia pelo jeitinho de falar, o Ícaro me contagia pelo simples ato de falar!
Às vezes eu acho que eu e ele seríamos opostos se vivêssemos no mundo de ODQR. Nunca conheci alguém que gostasse tanto do próprio aniversário que nem ele! Nem de falar que nem ele! E isso não é uma crítica é um mega elogio na minha opinião. É por causa deles que estou aqui (ó eu fingindo que não vai ser só eles ou no máximo mais umas 3 pessoas que conheço que vão ler isso) enfim… é por causa desses dois palestrinhas que eu estou aqui.
Obrigada 😊 vocês conseguem ser um farol pra mim em tantos aspectos que cês não fazem nem ideia.
(aprontoh agora tô chorando)... Secando as lágrimas e fazendo um exercício de respiração pra acalmar ‘-’
Se alguém estiver lendo isso saiba que foi um caminho bem espinhento pra sair da minha cabeça e acho que farol talvez não seja a simbologia correta pois farol fica num canto fixo né e vocês não. Então posso dizer que um me deu uma tocha e o outro me deu um facão (ou melhor uma foice, camaradas!) e com isso eu me sinto voltando pra dentro de mim mesma para conseguir limpar esse caminho espinhento que cerca tudo que diz respeito a mim mesma que um dia eu enfiei num baú e escondi bem escondidinho pra ninguém nunca mais rir de mim como se eu fosse estúpida, burra ou insignificante pra caralho e só devesse calar a poha da boca e parar de fazer perguntas idiotas.
Essa foi a MiniMika falando, antes eu achava ela cruel, mas acho que na verdade ela é só uma criança curiosa que deu azar de não encontrar adultos decentes para mediar seu desenvolvimento e no processo de descobrir tudo sozinha se machucou demais. TM
O Ben já conhece a história e deve imaginar do que tô falando, mas Ícaro e quem mais estiver lendo isso não, então vou explicar o que aconteceu:

só lamento pelos novinhos caso não saibam do que se trata esse gif
Quando eu era criança, tinha uma TV preto e branco no meu quarto, sei que isso foi já depois dos 7 anos pois antes disso eu dormia num berço ao lado da cama dos meus pais, numa casa de vila bem precária, no que hoje talvez eu entenda como favela?
Não sei. Enfim, essa não é a parte que importa aqui.
Quando nos mudamos para a casa que meu pai e tios construíram e meus pais moram até hoje, eu tinha um quarto só pra mim e por um tempo tinha essa TV.

Tem até essa foto aqui de mim em frente a ela inclusive; ainda na época que morava na vila, é a TV debaixo, a de cima já era colorida.
Lembro que certo dia eu perguntei ao meu pai:
“como era o mundo quando ele era preto e branco?”
Na minha cabeça aquela TV mostrava um mundo de antigamente. Não faço ideia do que ele respondeu de fato, mas eu lembro de vê-lo rir. Já não sei como foi esse riso, se foi um riso de “mds crianças fazem cada pergunta inocente e engraçada” ou “ah como é burrinha ainda” (spoiler: essa foi a primeira fala da MiniMika), não sei também se ele explicou, se eu lembrei na hora e aí caiu a ficha, se eu entendi só mais tarde e atualizei a memória, mas junto dessa pergunta, da risada e do constrangimento de ter feito uma pergunta boba, também lembro de ver as duas TVs lado a lado passando a mesmíssima coisa e eu olhando as duas e notando que não era o mundo era só a TV que era preto e branco.
Do jeito que eu contei é como a Micarla adulta lembra a história. Provavelmente faltam muitos detalhes, mas aquele sentimento de constrangimento e aquela primeira fala da MiniMika ficaram marcaram profundamente a minha vida e moldaram tudo o que veio depois, hoje eu sei. Foi inclusive um dos motivos para eu começar a ler e a estudar bastante: eu queria aprender sozinha para nunca mais fazer nenhuma pergunta boba a ninguém.
O problema é que juntando isso com um monte de situação capacitista que vivi na infância, eu li compulsivamente pra fugir da minha realidade e por isso às vezes eu vivo como se só existisse na minha cabeça, como um ser etéreo que não tem forma física, mas tem e quando se depara com essa forma física estranha, faz cara de nojo, vira a cara e não se olha no espelho quando olha tenta logo mudar o foco dos pensamentos, ignorar.

Inclusive me identifico muito com um personagem de Jujutsu Kaisen, o Mechamaru. Ele tem um corpo frágil e todo lascado e com seu poder controla remotamente esse robô (entre outras coisas do tipo) para viver lá fora, pois na prática ele nunca sai desse lugar escuro. Na história a plot dele é sobre reaver esse corpo para que ele seja forte e saudável e capaz de sair dali.
Essa história do mundo em preto e branco acabou sendo também parte significativa na construção de ODQR, pois os heróis dessa história querem impedir que o mundo seja assim de novo. Quando Zari era a rainha da poha toda ela jogava umas magia lá pra fazer todo mundo ver o mundo assim em preto e branco era como ela controlava geral e embora o mundo ainda seja uma merda no tempo em que meus protagonistas estão vivendo, do jeito da Zari era mais merda ainda. Daí no fim das contas o objetivo também é achar um jeito melhor pra manter as coisas

Falando em objetivos, deixa eu voltar para o motivo de eu estar aqui mesmo de fato, sinto que já digredi um bocado.
Eu me segurei muito antes de vir parar aqui, fiquei pensando “você não precisa fazer a mesma coisa que eles estão fazendo”, “você nem tem coisas tão interessantes assim pra falar”, “ninguém se importa” e o clássico: “mas isso que você está pensando é óbvio todo mundo já sabe” (MiniMika sobre qlqr tipo de reflexão que eu possa imaginar compartilhar com alguém).
Mas o fato é que eu já estava fazendo isso antes mesmo de vocês, no meu Bujo e eu só percebi isso graças a uma fala do Ben sobre eu estar escrevendo minha newsletter particular. Esse ano algo mudou na minha forma de usar o Bujo e ele tá mais pra diário do que pra Bujo. Eu noto que tô mais à vontade de escrever lá, tanto que já tô quase esgotando os 4 caderninhos que antes eu pretendia fazer durar o ano todo!
Além disso, com todo o processo de terapia junto à psicóloga mais incrível do mundo (desculpa eu mesma, ícaro e todas as pessoas psicólogas que eu já conheci a Beatriz já virou praticamente rainha no meu coração, acima dela só Waleska minha ex professora) as coisas estão ficando bem, mas bem diferentes mesmo aqui por dentro!
Boiolices à parte…
Juntando alguns ingredientes bem específicos que surgiram na minha vida de janeiro pra cá, o fato é que me sinto em um daqueles momentos de transição, se eu estivesse numa jornada do herói acho que seria aquele momento em que a personagem aceita o chamado. Então eu resolvi treinar o ato de compartilhar meus pensamentos com vocês e quem sabe assim dar voz à MiniMika pra que ela possa se curar através disso.
Se eu soubesse desenhar tão bem assim, eu faria algo tipo aquela trend de desenhar a si mesma encontrando sua versão do passado/criança. Então eu desenharia uma tirinha de mim mesma atravessando um campo com um monte de planta espinhenta. Só eu, minha tocha e minha foice comunista indo salvar a MiniMika.

Na minha cabeça ela é tipo assim, com cara de amuada e essa bota quase maior que ela.
Como eu ainda não sei como terminar isso então vou só terminar mesmo, mas prometo voltar~
