#5 Avanços pequenininhos em um sobe desce infinito

Cantinho para falar sobre o quanto minha energia, emoção, disposição para existir se altera o tempo todo e um pouquinho de escrita lá pro final.

O óbvio da vez é que a vida acontece mesmo é no movimento, mas o movimento dificilmente vai ser igual o tempo todo. 

~*~

Depois de todo aquele caos da semana retrasada, sinto que passei a semana passada inteira de molho. Não tive vontade de fazer nada, de falar com ninguém ou sequer de levantar da cama, mas pela primeira vez em muito tempo, que eu me lembre, nenhuma dessas vontades me dominou por completo.

Ainda me sinto bastante surpresa quando me vejo em situações que antes teriam me destruído emocionalmente, mas percebo que estou lidando com aquilo como se fosse apenas uma poeirinha de nada que caiu no chão e rapidamente dá para resolver. Eu sempre comparo a minha disposição para existir com o tanto de sujeira que se acumula numa casa. Não sou fã de trabalhos domésticos, mas passei tanto tempo vendo minha mãe (olha ela de volta aqui) lambendo o chão da casa dela, que isso ficou gravado na memória. 

Acredito fortemente que durante minha infância e adolescência minha mãe teve alguns problemas que faziam ela só se sentir bem se arrumasse a casa inteira e por completo — propositalmente retundante assim mesmo, (até hoje ela tenta, mas não dá mais conta sozinha).

Ao contrário de mim ela é uma pessoa com muita, muita, mas muita energia mesmo! Tem muita ansiedade, autocobrança e questões de gênero nesse meio também que eu sei, mas, seja lá qual for o motivo, é fato que pra mim a disposição dela sempre foi invejável. 

Enquanto isso eu só queria ter magia e poder limpar a casa facinho assim.

A parte ruim disso tudo é que na maioria das vezes quem sofria as consequências era eu. Nunca tive muita força física também, mas enquanto eu morava com ela, eu não entendia que era isso que dificultava minha vida e me fazia “ser mole demais” ouvi isso tantas vezes que eu realmente acreditei por muito tempo que era verdade.

Eu sinto que posso ficar um dia inteiro parada praticamente na mesma posição se eu tiver algo com que me entreter. Até consigo ser mais ativa se for necessário - como quando eu trabalhava presencialmente -, mas meu natural é a calmaria mesmo.  

Quando Ben veio morar comigo teve inclusive um tempo em que, por causa do referencial dele, estávamos fazendo uma leitura de mim mesma como sendo muito lenta para resolver algumas atividades, o que consequentemente fazia ele querer assumir mais ainda certas tarefas. Nossa convivência sempre foi boa e tranquila, então eu só aceitava mesmo, afinal a escolha era dele e é indiscutivelmente mais fácil pra você se outra pessoa assume o controle e resolve algo no seu lugar. Certo?

Isso até que um dia passou a incomodar - a primeira questão que passou a me incomodar nessa relação - assim como acontecia com a minha, mãe o ritmo dele era diferente do meu e, não que ele tenha as mesmas atitudes que minha mãe, mas assim como ela fazia, me parecia que ele esperava que eu desse conta de acompanhar. O nível de energia dele está em algum lugar entre eu e minha mãe, não supera o dela, mas o meu supera sem sobra de dúvidas. 

Quando estamos em um relacionamento desse tipo, dividindo a casa, a vida e a rotina é como misturar dois mundos e por mais que as pessoas envolvidas tenham muito em comum, como eu e ele (ou nada em comum como eu e meu ex marido), ainda assim é como ter dois mundos diferentes coexistindo. São duas formas de funcionar. Duas vidas cheias de histórias boas, ruins, traumáticas, complexas como sempre é a vida de cada um, então dá quase pra gente contar que nessa conta toda a gente tem que contar +1 pois, nesse caso, é você, a outra pessoa e o resultado disso. 

Isso que somos não-mono e tem de fato +1 pessoa no rolê.

Já nem lembro como foi que aconteceu minha conversa difícil com o Ben, mas em algum momento precisei dizer a ele que esperar que eu desse conta de algo da mesma maneira que ele, era injusto pra caramba e pude também ouvir dele quão difícil era para ele me ver simplesmente me entregando à indisposição (especialmente em crises depressivas) e ficar deitada o máximo de tempo possível ignorando tudo o que se tinha para fazer em casa, quando ele nunca teve essa possibilidade na vida e poderia estar em estado pior ainda e ainda assim precisava levantar e dar conta sozinho.  

Sempre que eu lembro dessa conversa eu penso no quão errado poderia ter dado se a gente não tivesse o mínimo de preparo sobre como ter essas conversas difíceis. Não era só sobre o relacionamento da gente, era sobre questões mais profundas e antigas que isso. Quer dizer que depois dessa conversa isso nunca mais foi um problema entre nós? Certamente que não, mas eu vejo que há o esforço de ambas as partes em genuinamente tentar compreender o outro. 

E que bom que a conversa difícil aconteceu, pois eu precisei 200% da compreensão dele nessa semana que passou. Eu fiquei imprestável depois de consumir a reserva de energia do restante do ano inteiro em uma semana (acredito eu).

O pior dia foi esse, mas eu tinha que aguentar até domingo de tarde e aguentei.

Ter pouca energia sempre foi uma questão que complicou muito a minha vida.

Não lembro exatamente como era na escola já que lá eu tinha o aval da deficiência para ficar quieta (até demais) na minha, mas no meu primeiro trabalho sempre dava problema quando era uma tarefa urgente. Por sorte sou detalhista e isso era perfeito para a maioria das atividades que eu tinha que executar lá, no trabalho atual não tive a mesma sorte, mas encontrei alguém para me apadrinhar por um tempo e fiquei tranquila sem ter que bater meta por praticamente dois anos. Saudades Glaucia, foi só ela sair que eu piorei e já entrei na pericia por esgotamento, inclusive.

Na minha família, nem se fala. Acredite ou não, quando eu era criança já aconteceu de minha mãe l i t e r a l m e n t e  quebrar uma lixeirinha de pia na minha cabeça. No meu primeiro casamento ainda tinha alguma relevência, mas foi menos problemático (economizou nisso para ser problemático em outras coisas, pelo visto). E agora nesse relacionamento, vez ou outra acontece de gerar uns certos incomodos, percebo. 

Quando algo como o que rolou semana retrasada acontece na minha vida, parece que eu ligo algum gerador de energia que estava escondido em algum lugar dentro de mim e de repente eu faço umas mil tarefas ao mesmo tempo, depois de ter pensado uma tonelada de pensamentos a respeito sem nem me dar conta, falo o triplo do que costumo falar e interajo até mesmo com quem nunca nem vi na vida mesmo quando nem é tão necessário assim. É quase como se eu tivesse ligada na tomada o tempo todo. 

Eu dou conta quando é preciso, mas quando acaba ninguém conte comigo para mais nada por um bom tempo.

Eu viro o Jaiminho e prefiro evitar a fadiga

Semana retrasada isso foi necessário, lidamos com a situação e planejamos uma penca de ações para evitar que algo como aquilo se repita. Eu fico genuinamente animada de ter encontrado outras pessoas que compartilham o mesmo ideal que eu de que: é a educação o caminho para começar a mudar algo no nosso coletivo! Depois de uma reunião mega tensa em pleno domingo, lá para sexta passada tivemos uma mais tranquila para planejar os próximos passos que levou mais de 2h e só notamos por já ser hora do almoço e a fome estar apertando. Outro nível, outra energia.

Quase mudando de assunto, porém nem tanto…

Isso me faz pensar no meu mês de maio como um todo. 

Há uns 3 meses que eu anoto em um dos meus cadernos essa tabelinha com emoções. Tudo bem simples pois já tentei diversas formas de fazer isso desde que comecei a usar Bullet Journal (algo que com certeza será tema de alguma edição desta newsletter um dia), e é o que melhor funciona para mim. Adoro ir preenchendo esse gráfico ao longo dos dias. Acho muito satisfatório!

Sim eu comecei do mês 3 pois antes tava com preguiça. e assim é o bujo, é você que manda u.u

Eu resumo tudo em apenas 3 carinhas porque depois de 4 anos registrando isso eu já manjo o suficiente, obrigada. 

=) para dias em que me senti bem na maior parte do tempo, aqueles dias em que tudo funciona como o esperado ou até não funciona tão bem assim, mas isso não te abala, pois você tá de boas consigo mesma.

= < para dias em que por acaso estava doente, triste, quando algo mexeu comigo e me deixou mais pra baixo, porém ainda dando pra levar, aquele tipo de situação que você olha e fala “poxa que chato né, gatah” mas segue a vida.

= o para dias em que eu tive alguma raiva, deu tudo errado ou eu estava de TPM, com dor, com cólica ou seja lá o que for, os piores dias mesmo que você só quer que acabe logo de uma vez.

Se não é seu caso, eu sempre indico começar por esse mapa de sentimentos para ir aumentando o vocabulário emocional aos pouquinhos e dando seu próprio sentido a cada uma das emoção que tem ali.

Agora sim mudando de assunto mesmo

Eu comecei a fazer um curso online sobre escrita!

Mas foi um rolê danado para eu começar. Ben ficou extremamente desconfiado com o pessoal e achava que era golpe. É uma editora pequena e focada em literatura nacional de fantasia, mas na verdade eles vendem mesmo é um serviço de mentoria que, segundo dizem, em um ano você escreve seu livro e dependendo do seu desempenho nesse curso com feedbacks mensais, você tem a garantia de publicar o livro com eles. 

A gente pesquisou CNPJ, leu contrato, discutiu termos de rescisão e cancelamento com o moço que estava conversando comigo, pois realmente parecia muito furada. Não era mas no fim das contas optei pelo meio termo: fazer uma assinatura básica de R$ 25,00 no pix que dá acesso apenas ao curso deles, sem mentoria, sem possibilidade de publicação com eles, só pra eu ver qual é. 

Com isso eu resolvi começar a escrever por aqui mesmo um diário de escrita :) 

… só não se engane achando que são só essas 3 histórias …

Fiz até uma capinha para o diário de cada história que pretendo escrever usando uma imagem que represente a história de alguma maneira. No momento só vou compartilhar sobre essa primeira, a dos cristais roxinhos que já mencionei aqui antes, mas futuramente quem sabe, compartilhe mais detalhes de outras quando chegar a vez delas.

Obviamente eu não vou postar isso aqui assim tão abertamente, pois eu morro de medo de alguém ir lá e roubar minha ideia. Ok, quem sou eu na fila do pão né? Por que alguém roubaria minha ideia? Mas sei lá! Se já podia acontecer antes, em tempos de IA, vai saber o que acontece. Prefiro mesmo evitar a fadiga.

Como não tinha como privar apenas algumas postagens e outras não, simplesmente criei outra conta. Essa vai ser privada e vou precisar aprovar manualmente as inscrições. Ainda não sei de quanto em quanto tempo vou postar, se vou postar só o planejamento, os capítulos ou não, só sei que vai ser um lugar para falar única e exclusivamente sobre escrita ou qualquer outro tópico relacionado a isso.

De toda forma, estou empolgada em ter voltado a escrever :) eu me sinto verdadeiramente realizada fazendo isso, e como sempre acontece comigo, sim, me pergunto de vez em quando se será só mais uma fase e passará, pois terei outra crise depressiva e largarei tudo como já aconteceu tantas vezes no passado, maaaaas, pelo menos por enquanto que estou bem e um cadim mais fortalecida, quando esse pensamento vem, eu olho para o caderninho aberto aqui do meu lado com aquele sobe desce danado desenhado e me lembro que viver é isso mesmo. 

A música de hoje foi a primeira que tocou na minha rádio mental depois de escrever aquela última frase.